domingo, 12 de março de 2017

OS BENEFÍCIOS DO XAMANISMO PARA O TRATAMENTO DAS ADICÇÕES E TOXICOMANIAS

Xamanismo é um termo cunhado por antropólogos para definir um conjunto de práticas ancestrais de cura, êxtase, devoção e conexão com o transcendente. Esse conjunto de práticas é encontrado em todo o mundo, o que transforma o xamanismo em um fenômeno universal essencialmente humano. Suas origens remontam a 40 ou 50.000 anos atrás, no período paleolítico, o que o torna a primigênia forma do ser humano se conectar ao sagrado e a mais antiga prática espiritual da humanidade.

A expressão originou-se a partir da palavra “Saman”, que é a denominação dada pelos povos das estepes da Sibéria e Mongólia à pessoa, ao especialista, que domina e utiliza essas práticas ancestrais e detém o conhecimento e sabedoria ancestral relacionado às mesmas.

Entre os fundamentos do xamanismo estão o reconhecimento do sagrado e transcendente na diferentes manifestações de vida e respeito pela ecologia; a utilização dos inúmeros recursos naturais de cura oferecidos pela natureza, disponíveis nos reinos mineral, vegetal e animal; a relacionalidade e interconectividade de tudo; a necessidade de expansão da consciência humana e a comunicação com outros mundos, dimensões e realidades.

Atualmente, essas práticas e técnicas ancestrais apresentam-se como eficientes métodos para se curar inúmeros males do corpo e da alma, como a adicção em seus inúmeros aspectos e formas.

Na visão xamânica, a saúde é fruto de uma vida equilibrada. Quando qualquer área da vida encontra-se em desequilíbrio o resultado são enfermidades. Ao contrário, quando se vive em equilíbrio, experimenta-se harmonia, bem-estar, felicidade e paz, manifestando a beleza!

O processo de cura no xamanismo busca trazer de volta esse equilíbrio, que, por algum motivo, foi afetado em algum aspecto do ser: físico, emocional, mental ou espiritual.

Para se alcançar esse propósito, são utilizadas técnicas como “jornadas extáticas” (as viagens a outras dimensões da consciência, conduzidas pelo toque do tambor por ex.), cantos, defumações, banhos, plantas medicinais, pedras e cristais e inúmeras outras ferramentas. No contexto xamânico, qualquer meio que contribua para que o equilíbrio seja reestabelecido é chamado de “medicina”.
                         
Em minha prática de cura e experiência como terapeuta de medicina ancestral (xamanismo), pude testemunhar muitos sucessos no tratamento e auxílio à pessoas com adicções, principalmente o cigarro e drogas como o crack.

No trabalho de cura da adicção do cigarro, é utilizado o próprio tabaco, porém em um contexto ritual e de cura, fumado com reverência e propósito, demonstrando à pessoa uma outra maneira de se relacionar com o poderoso espírito do tabaco, a força espiritual da Planta do Tabaco que é utilizada milenarmente em todo o continente americano, no sul e norte, como um eficiente recurso de cura e comunicação com a dimensão espiritual.

Apresentar a uma pessoa com adicção em cigarro uma maneira diferente de relação com o Tabaco produz um efeito imediato e definitivo. Ironicamente é uma maneira de se parar de fumar fumando.

De maneira análoga, também foi obtido êxito no trabalho de cura da adicção de crack por meio de ferramentas xamânicas, no caso do crack, derivado da coca, Planta Sagrada e também de utilização milenar na extensa região Andino-Amazônica, são as folhas de coca, também em um contexto ritual, o principal instrumento da prática de cura xamânica. Neste caso, é realizada uma cerimônia tradicional de preparação de uma oferenda à forças e poderes de cura da Mãe Natureza, chamada na região andina de Pachamama.

Nessa Cerimônia pratica-se o AYNI, a Reciprocidade com as forças que sustentam a Vida e proporcionam saúde e bem estar. Na oferenda são colocadas folhas de coca, grãos, doces, incensos naturais e outros elementos simbólicos que visam agradar e alimentar as forças da Natureza. Durante todo o período de preparação da oferenda, se “masca” as folhas de coca para manter uma constante conexão com as forças da natureza e o espírito da Planta.

Além dessas práticas, também testemunhamos a eficácia da cerimônia da Tenda do Suor ou Temazkal[1] no auxílio e tratamento a adicções múltiplas, incluindo drogas, álcool, doces e outros.

A Tenda do Suor é uma terapia milenar usada pelos povos indígenas, e consiste de uma Sauna Sagrada onde os participantes recebem uma profunda limpeza no corpo físico, emocional, mental e espiritual.

Essa terapia auxilia na cura de doenças agudas e crônicas, estimula os órgãos e limpa toxinas acumuladas por medicamentos, produtos químicos, alimentação inadequada, fumo e bebida alcoólica. Promove uma limpeza sanguínea, estimulando as glândulas. Em 50 minutos é eliminado um litro de suor com toxinas, ácido úrico, colesterol e gorduras.

O Temaskal também é eficaz para obesidade e o rejuvenescimento da pele, limpa os seios nasais e paranasais através dos vapores aromáticos de plantas curativas. Alivia sinusites, catarro, asma e bronquite. Seu efeito relaxante combate a insônia e o stress.

Porém, todo o processo de limpeza do corpo físico e desintoxicação promovidos pelo Temazkal são apenas a primeira parte do processo de cura!

A Tenda do Suor estimula processos de transformação internos, alcança pontos no mais íntimo de uma pessoa, o contato com o silencio propicia uma Paz que preenche e acalma, permitindo ir fundo em dores e medos. O escuro, o local fechado, a permanência em uma posição aparentemente incômoda, o calor, são fatores que levam ao despertar de diversos sentimentos. Uma cerimônia de Temazkal possibilita a consciência de que somos capazes, elevando a alta-estima e valorizando a pessoa, trazendo novo ímpeto e estímulo para a sua recuperação.

No Temaskal, a pessoa entra em contato direto com os elementos da natureza (água, terra, fogo e ar), simbolicamente a Tenda representa o Útero da Mãe Terra, promovendo um processo de renascimento em todos os participantes. O ambiente interior da Tenda reproduz as condições do útero materno, é quente, escuro e úmido. Os toques do tambor que acompanham o decorrer da cerimônia, marcam o batimento acelerado do coração de um bebê. 

Portanto, a Tenda é a terra, a casa onde entramos, o solo no qual deitamos o corpo e entregamos nossas dores, é o que nos acolhe. O fogo de uma fogueira exterior esquenta pedras que entrarão incandescentes e serão depositadas no centro da Tenda. A água vertida sobre as pedras quentes transforma o calor contido nas mesmas em vapor, que toca o corpo abrindo nossos poros e permitindo à “medicina” das pedras curar. O vento é o que nos refresca e nos dá vida, cada vez que a porta abre para recebermos mais pedras e, finalmente, quando renascemos, saímos da tenda completando nosso parto! Uma nova oportunidade, um novo tempo, um recomeçar. Neste ponto, observar-se que a pessoas com qualquer adicção encontra uma nova possibilidade de vida, desperta sua fé e consolida seu propósito de cura.



[1] Palavra na língua indígena Nauatl, originária do México, que significa “Casa de Limpeza ou de Purificação”.

domingo, 29 de janeiro de 2017

AYNI – A Reciprocidade como um princípio ético

Templo das "Manos Cruzadas", em Kotosh, cerca de 5.000 anos de antiguidade. Mãos na posição cruzada são um símbolo na região andina do princípio de reciprocidade - AYNI
Na dinâmica cíclica da vida, um movimento harmonioso e harmonizador se faz presente ao se manifestar no balé do equilíbrio entre doação e entrega, dar e receber.
Tomar e receber, inspirar e expirar, oferecer e aceitar.
Trocar pode ser visto como o próprio ato de viver.
Dar e Receber estabelece um vínculo e conexão que nos interliga a tudo e a todos, a teia da vida, círculos concêntricos, o campo morfogenético, infinitas possibilidades de trocas e relações!
Reconhecemos, honramos e reverenciamos esse movimento realizando a ação recíproca, dar e receber como um princípio ou fundamento ético. Uma Ordem que tem sua origem no Amor.
A busca pelo equilíbrio entre Dar e Receber encontra-se presente em muitas culturas e tradições, de diferentes povos dos quatro cantos da Mãe Terra.
Na milenar cultura e tradição andina, esse princípio de reciprocidade é chamado de AYNI.
Ainda hoje é um dever ético e uma obrigação para as comunidades tradicionais andinas e membros dessas comunidades, praticarem o Ayni, a reciprocidade.
Na desafiadora e extensa região andina, a ajuda mútua, solidariedade e cooperação, “hoje eu lhe ajudo, amanhã serei ajudado”, a força e capacidade de realização do coletivo, foram essenciais para o desenvolvimento de grandiosas civilizações que se levantaram e prosperaram, mesmo nas condições mais adversas. Desde os primórdios das primeiras civilizações andinas, tão antigo quanto o princípio do Ayni, surgiu na região Andina o AYLLU, que é o conceito de comunidade, povo, tribo e clã. A forte identidade coletiva se sobrepõe à individual, o sujeito encontra significado, sentido e realização no grupo, no sistema ao qual ele pertence. 
E não apenas se estabelece o vínculo e o ato da troca com os outros seres humanos, mas também com os demais seres e dimensões, de qualquer tempo e espaço. Nos Andes, ainda hoje, as pessoas se relacionam com as Montanhas, os Rios, as Nuvens, o Vento, as Águas. Assim como a Terra, a Semente, o cultivo e o cuidado que nos dá o alimento e a fartura. As forças da natureza e a sabedoria dos ancestrais. Todos emparentados compondo um gigantesco Ayllu. 
A continuidade do princípio de reciprocidade perpassou sucessivas civilizações, culturas e povos no decorrer de milênios na América do Sul. Na época do encontro com o universo ocidental cristão, com os homens da Europa medieval/renascentista, a região andina vivia o apogeu da civilização inka.
Mas muito antes do que os inkas, a se perder na noite dos tempos, esse princípio já era respeitado e seguido. Em construções sagradas de mais de 5.000 anos de antiguidade encontram-se referências e evidências da prática do Ayni.
Pelo Ayni se reconhece a precedência e grandeza das forças da natureza que são reverenciadas e recebem o que lhes é de direito que pode ser expresso por meio de uma oferenda ritual, uma retribuição no âmbito do invisível, entregando a essas forças uma representação simbólica do mundo, que celebrem e invoquem a fertilidade, saúde e bem estar, que tragam a força da própria vida!
A prática do Ayni nos proporciona a oportunidade de contribuir com a manutenção e a ordem de todos os sistemas ao qual pertencemos. Seja o nosso corpo, nossa família, a comunidade, a nação, a humanidade, o planeta e o cosmos.
O sentimento do Ayni é a gratidão, oferta-se reconhecendo que é uma retribuição de agradecimento pelo o que já foi entregue. O agradecimento contempla a saúde, fertilidade, chuvas, colheita, prosperidade, abundância e a própria vida.
Quando este princípio é rompido ou transgredido, o desequilíbrio se faz presente e manifesta desordem, transtorno e enfermidades. Para reequilibrar o sistema é necessário a reconciliação, incluindo o que foi esquecido ou desprezado, reconhecendo e reverenciado o que é maior e veio primeiro.
Para a tradição andina, quem vieram primeiro foram as montanhas, os lagos e o oceano, as nuvens e as águas primordiais, o Sol, a Lua e as estrelas, avós e avôs de tempos imemoriais, ancestrais de outros tempos e mundos. Todo o cosmos, a Pachamama.
A eles se roga e se oferenda para que haja o Ayni, para que se tenha uma vida equilibrada e próspera, a eles se entrega para que se receba!
Incluindo os diversos mundos, reinos e dimensões o princípio que estabelece o fundamento das infinidades possibilidades de relações é o Ayni, a reciprocidade.
É o mesmo princípio que vemos nos povos nativos do norte, que seguem a Boa Estrada Vermelha, quando ofertam um pouco de tabaco, por um rezo, uma dádiva, uma vida, expressando Mitakuye Oyasin - todos somos parentes, em todas as nossas relações.

Reconhecendo que este é um princípio e ordem universal, podemos aplicar esse ensinamento por meio de um comportamento recíproco, buscando reconhecer e honrar a troca e a dinâmica de dar e receber em todas as nossas relações. Assim, por meio do Ayni, a vida torna-se harmônica, bela e equilibrada, alcançamos o Sumaq ou Allin Kawsay, uma “Vida Bela e Boa”. 

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

CONSTELAÇÃO FAMILIAR E XAMANISMO - Um rico e interessante diálogo!

Um interessante e rico diálogo pode ser estabelecido entre a milenar sabedoria, práticas e técnicas de cura ancestrais, de diferentes tradições nativas, o que convencionou-se chamar por xamanismo, e os fundamentos das Constelações Familiares Sistêmicas de Bert Hellinger.
A começar pelo fato de que, uma das inspirações de Bert Hellinger, para criar a técnica das Constelações Familiares, veio do povo africano Zulu, com o qual ele teve contato e conviveu durante a época em que era missionário católico na África do Sul.
Nas palavras do próprio Bert Hellinger:
“Primeiramente, o respeito que eles (os Zulus) mostram por seus pais. Isso me impressionou muito. Também a segurança com que as mães lidam com seus filhos era impressionante. Dificuldades com filhos é algo que não conhecem. Simplesmente sabem do que as crianças precisam. As mães eram sempre dedicadas. Outra coisa que tomei de lá foi o respeito diante do próximo. Lá cada um pode preservar sua reputação. (...) O importante para mim foi sempre o crescimento interno. Minha experiência na África contribuiu grandemente para isso”.B e r t  H e l l i n g e r - “U m  L u g a r  p a r a  o s  E x c l u í d o s”
O respeito e reverencia à ancestralidade, o direito de pertencimento ao grupo por parte dos indivíduos e a importância e ênfase dada às trocas e à reciprocidade são elementos que caracterizam não apenas aos Zulus mas a muitos outros povos, culturas e tradições primigênias (ainda chamadas por alguns de primitivas), que seguem com esses valores fundamentais que, quando são suprimidos, os atira em profundas crises de caráter ético e moral, levando à confusão da identidade individual e coletiva.
É preciso que se diga que os fundamentos do inovador processo terapêutico de Constelação Familiar Sistêmica, de Bert Hellinger, são encontrados e caracterizam a tradição e a cultura de muitos povos! Ao estabelecer as chamadas “Leis do Amor”, Bert Hellinger não inventou a roda, mas criou um veículo perfeitamente adaptado (e necessário) às pessoas do mundo globalizado.
Nas Constelações Familiares, é o terapeuta, também chamado de constelador, que se coloca a serviço e que, por meio da técnica, segue um roteiro pelo qual o Sistema Familiar do cliente (ou constelado), o Campo, irá se manifestar. Nos povos “antigos”, quem assume essa função é o ou a xamã!
Detentor de muitos saberes, contador de histórias (Bert Hellinger é grande apreciador do recurso terapêutico e pedagógico das histórias), especialista e profundo conhecedor dos meios para se alcançar a cura e reestabelecer a saúde, seja no âmbito físico, espiritual, emocional ou psicológico, o xamã (ou a xamã) buscava por diferentes recursos reequilibrar e harmonizar o que está fora de ordem. Ora, e um dos objetivos das Constelações Familiares não é exatamente esse? Identificar que Ordem do Amor foi transgredida, gerando um desequilíbrio no Sistema Familiar e na vida da pessoa e buscar, por meio da técnica, reequilibrar esse Sistema! Colocar em Ordem o que está desordenado!
As Leis ou Ordens do Amor de Bert Hellinger podem ser sintetizadas assim:
1-    Pertencimento: todo indivíduo tem o direito a pertencer ao Sistema, portanto todos devem ser incluídos.
2-    Hierarquia: os mais antigos vem primeiro, os mais novos vem depois.
3-    Equilíbrio entre Dar e Receber: o balanço dinâmico e harmônico nas trocas e nas relações.
Quando alguma dessas Ordens é transgredida, surgem problemas e enfermidades.
O mesmo se vê no processo de cura do xamanismo e em tradições e culturas ancestrais!
Para muitas tradições, o direito de pertencimento, a primeira Ordem do Amor, é primordial e para alguns povos, a identidade coletiva, a comunidade, sobrepõe-se ao indivíduo! Algo que pode soar até mesmo estranho em uma época tão individualista como a que vivemos!
Além disso, predomina em muitos povos nativos o caráter inclusivo que se sobrepõe à exclusão. No âmbito espiritual, por exemplo, a aceitação do cristianismo por muitas tradições ameríndias e africanas foi relativamente fácil por seu caráter inclusivo, o que contrastava e se chocava com o excludente dogma do monoteísmo ético e de uma religião de verdades absolutas, princípios propagados e defendidos até mesmo por meio da violência por parte dos zelosos responsáveis por evangelizar e converter milhares de seres humanos à “verdadeira fé”, no caso, o cristianismo.
A qualidade inclusiva dessas tradições e povos se fez presente, apesar da brutalidade do processo de conversão, nos fenômenos da mestiçagem e do sincretismo, algo muito comum nos países latino-americanos por exemplo, onde os santos e entidades católicos encontram seu análogo em divindades pré-colombianas ou africanas. Somente tradições inclusivas poderiam adotar o culto às Mamachas Andinas (associação da Virgem católica às Montanhas Sagradas e à própria Pachamama, a Mâe Terra dos índios) ou à identificação dos Santos da igreja com os Orixás africanos.
Já a Hierarquia, a segunda Ordem do Amor, apresenta-se com muita força e vigor no respeito, reverência e, em alguns casos, culto aos ancestrais. Desconheço uma cultura tradicional que não apresente essa qualidade! Para muitos povos nativos, o que os mais velhos dizem assume o caráter de lei. Em algumas culturas, os ancestrais são tão respeitados que continuam, mesmo após a morte, a participar ativamente da vida cotidiana dos vivos! Em algumas culturas pré-colombianas, os mortos eram mumificados e participavam de eventos sociais, cerimônias e até mesmo julgamentos e conselhos de guerra! Outro exemplo fascinante encontra-se na colorida e alegre Festa do Dia dos Mortos em países como o México, onde os ancestrais são convidados a se banquetear junto com os vivos.

Quanto ao equilíbrio entre Dar e Receber, a reciprocidade encontra-se como um princípio ético e um dever em muitas culturas e povos. No caso do xamanismo, esse fundamento que norteia as relações não é exclusividade dos seres humanos, mas alcanças a relação com todos os seres, reinos e dimensões, como diz a expressão indígena Lakota: “Mitakuye Oyasin - Por Todas as Nossas Relações”.  
Um exemplo muito interessante é a continuidade desse princípio de reciprocidade que perpassou sucessivas civilizações, culturas e povos no decorrer dos milênios na América do Sul. Na época dos inkas, a última grande civilização pré-colombiana sul-americana, esse princípio era chamado de Ayni. Ainda hoje é um dever ético e uma obrigação para as comunidades tradicionais andinas e membros dessas comunidades praticarem o Ayni, a reciprocidade, hoje eu lhe ajudo, amanhã serei ajudado! Graças a esse princípio, grandiosas civilizações se levantaram e prosperaram, mesmo nas condições mais adversas (o que é o caso da extensa região andina).

Mas ao invés de diminuir a contribuição de Bert Hellinger, reconhecer que as Ordens do Amor já eram conhecidas e respeitas há milênios e que, em nosso desequilibrado mundo moderno, elas se fazem necessárias e urgentes, traz mais força e valoriza a contribuição desse genial terapeuta, filósofo, poeta e pedagogo alemão. O mundo hoje clama por Ordem!
E se para muitos, a prática do xamã ainda encontra-se no âmbito das crendices e superstições, o caráter científico presente na pesquisa e técnica das Constelações Familiares apresenta-se aceitável para muitas pessoas, tantas que atualmente a técnica de Bert Hellinger está em quase todo o Planeta!
Por vezes a aproximação é grande e tornam-se tênues os limites e separações entre uma sessão de Constelação Familiar e práticas espirituais e espiritualistas (o próprio Bert Hellinger pratica, assim como muitos outros consteladores a chamada “Constelação do Espírito”), e isso não é negativo, afinal um dos princípios da Constelação é a inclusão e seria incoerente excluir o espiritual.
Nessa perspectiva, a sabedoria e técnicas das antigas tradições, o xamanismo, pode contribuir e muito com as Constelações! Há muitos pontos de convergência e onde abre-se uma lacuna de uma das técnica, a outra apresenta-se para a complementar.
É muito interessante o fato de que no xamanismo sempre encontramos altares com uma grande variedade de objetos e instrumentos de poder. Ora, em muitos altares xamânicos, esses objetos são-se uma representação simbólica do universo, do cosmos, nada mais sistêmico!
Para o xamanismo, o universo é sistêmico e absolutamente tudo encontra-se interligado, como se todo o universo fosse como uma teia de aranha, ou se preferir, o Campo Morfogenético de Rupert Sheldrake.

Por ser inclusiva, a técnica das Constelações Familiares Sistêmicas apresenta-se flexível e permite a complementaridade de outras técnicas e práticas, sendo o xamanismo um recurso a oferecer inúmeras possibilidades.
Para tanto, é necessário equilíbrio e sobriedade para que o caráter científico das Constelações Sistêmicas não seja sobrepujado pelo caráter mágico do xamanismo e nem que o científico engesse ou negue a magia.
Mas que o terapeuta e a Terapia de Constelações Familiares Sistêmicas devem honrar e reverenciar o xamã e às tradições de cura e o saber ancestral, eles devem, afinal, o xamanismo é que veio primeiro.

sexta-feira, 13 de março de 2015

ANCESTRALIDADE E XAMANISMO

 Recordo-me que, há alguns anos atrás, conversava com um amigo, que já naquela época conduzia cerimônias ancestrais, sobre o termo “xamanismo”, o qual ambos compartilhávamos da visão de que estava bastante desgastado e era mau conhecido e “mau usado”, fosse por ignorância ou mesmo intenções não muito nobres.  
 Meu amigo possuía as bênçãos para conduzir a cerimônia de Tenda do Suor e era portador de um Cachimbo Sagrado, a “Shanupa”, recebidos após a realização de ritos na linhagem da Tradição do Fogo Sagrado de Itzachilatlán - FSI. 
 Ele dizia-me o quanto sentia-se incomodado quando as pessoas o chamavam de “xamã”, o que ele considerava não ser. O “título” soava-lhe distante da Tradição a qual era ligado e também recordava-lhe de maneira específica os indígenas das planícies dos atuais Estado Unidos, apesar de que o desenho cerimonial e os ensinamentos desses povos serem um dos que a Tradição do FSI fundamenta-se e adota.
 Eu contrapunha seu argumento, mesmo concordando em parte com ele. A confusão é grande, o termo é muitas vezes utilizado para designar o “especialista”, curandeiro e “sacerdote” das tribos das planícies do norte e de outras tradições nativas das Américas, porém sua origem é das regiões da Sibéria e Mongólia. Para alguns povos da América do Norte, são usados os termos “Homem Sagrado” e “Homem de Medicina” (também empregado pelo FSI).
 A partir da palavra “Saman”, denominação siberiana dada à pessoa que dominava e utilizava um conjunto de práticas ancestrais de cura, êxtase, devoção e conexão com o transcendente, foi cunhado, por antropólogos, o termo “xamanismo” e o praticante é chamado de “xamã”.
 Dessa forma, efetivamente, com exceção dos originários das estepes da Mongólia e da Sibéria, nenhum “xamã” é “xamã”! Nisso concordava com meu amigo e compreendia seu desconforto em ser chamado por esse nome.
 Por outro lado, tendo em vista a necessidade de nomes, rótulos e conceitos da sociedade moderna e a dificuldade de encontrar outra nomenclatura melhor, defendia a utilização do termo “xamanismo” por ser ao menos uma referência para muitas pessoas sobre essas práticas ancestrais. Se não fosse a palavra “xamanismo”, que outro termo podíamos utilizar? Ao menos, que “rótulo” ou conceito seria inteligível à grande maioria das pessoas? Chamar uma Cerimônia como a Tenda do Suor de “prática/ritual ancestral para cura, limpeza e conexão com o sagrado” seria mais acertado, porém dizer isso todas às vezes que se fosse fazer referência ao trabalho seria bastante desgastante, além de não traduzir para a maioria das pessoas o que significava. “Xamanismo” é muito mais prático!
 Assim, com muita franqueza, digo que “xamanismo” nada mais do que um “rótulo”, uma nomenclatura para englobar um universo amplo e múltiplo! Porém, com essa afirmação, não pretendo retirar do fenômeno “xamânico” (e consequentemente do “xamã”) sua sacralidade e importância.
 Naquela época da conversa com meu amigo eu já pensava assim e atualmente, mais do que nunca, esse tema deve ser abordado pois vejo a confusão cada vez maior, à medida em que o fenômeno “xamanismo” se expande e se difunde, multiplicando-se e replicando-se, surgindo “rótulos” e “derivados” como “neo-xamanismo”, “xamanismo urbano” e “xamãs de plástico”!
 Nesse ponto, parece ser importante uma definição de “xamanismo”, então, arregacemos as mangas e vamos lá!  
 Xamanismo é o nome dado à primigênia forma do ser humano se conectar ao sagrado, suas origens remontam a 40 ou 50.000 anos atrás, no período paleolítico. Como já foi dito, a palavra tem origem na Sibéria, e passou a ser usada pelos antropólogos para definir um conjunto de práticas ancestrais de cura, êxtase, devoção e conexão com o transcendente. Esse conjunto de práticas é encontrado em todo o mundo, o que transforma o xamanismo em um fenômeno universal essencialmente humano.
 Por sua antiguidade, o xamanismo pode ser considerado a mais antiga prática espiritual da humanidade, em seus fundamentos está o reconhecimento do sagrado e transcendente, o respeito pela ecologia, a relacionalidade e interconectividade de tudo, a necessidade de expansão da consciência humana e a comunicação com outros mundos, dimensões e realidades.
 O aspecto ecológico do xamanismo surge como o resultado do princípio de relacionalidade onde nada existe isolado, toda manifestação, fenômeno ou ser está conectado e interage com todos os outros aspectos da realidade ou realidades. Ele é fruto do estudo meticuloso, interação e aprendizado do ser humano com o “livro” sagrado de todas as tradições xamânicas: a Natureza!
 E por que, nos dias de hoje, segunda década do século XXI, o fenômeno “xamanismo” encontram-se em expansão? Para mim, a explicação é a própria natureza! O rompimento ou a ilusão de rompimento do ser humano com a natureza estão causando tantos danos às pessoas e ao planeta, que o xamanismo apresenta-se como um caminho espiritual coerente e atrativo ao anseio pelo reequilíbrio nas relações entre a espécie humana e o seu entorno!
 A atual crise em todas as áreas da vida humana global nos leva a buscar respostas em algo sólido e que já foi “testado” no passado e que nos traga respostas e amenize a angustia e o vazio da vida moderna. E o que melhor do que algo que já foi usado e reconhecido como eficaz, trazendo resultados efetivos à milênios!?
 Além disso, coerente com a visão cíclica da Natureza e a lei do “Eterno Retorno”, o conhecimento e a sabedoria ancestral retornam para trazer saúde e paz à tribo humana e honrar o rezo e as profecias dos antigos!
 Mas, voltando uma vez mais à conversa com meu amigo, feita há tempos atrás, o fato de ser uma nomenclatura confortável para definir o fenômeno, não faz do “xamanismo” e do “xamã” algo banal e isento de sacralidade e respeito, muito pelo contrário.
 E aí chegamos em um dos pontos principais, pilar e fundamento do fenômeno “xamânico”, a “Ancestralidade”!
 Compreendo e aceito muitas pessoas como terapeutas, curadores e espiritualistas dizerem que fazem uso de recursos “xamânicos” e do “xamanismo”, porém é difícil de “engolir” a grande quantidade de “xamãs”, “iniciações” e “escolas xamânicas” sem relação alguma com nenhuma Linhagem ou Tradição Ancestral!
 Como um(a) xamã moderno(a) pode se chamar assim, se carece de uma linhagem ancestral legítima ou não se insere em uma Tradição sólida e reconhecida?
 Apesar de muitos desses “xamãs” terem uma prática fundamentada no conhecimento dos antigos, lhes falta a solidez, o apoio e a legitimidade de uma Tradição. É a isso que chamamos de “linhagem”, pois, como uma “linha”, une o passado ao presente. A experiência acumulada, muitas vezes por milênios, chega à atualidade e se manifesta na pessoa daquele que a representa e que, principalmente por meio de ritos, iniciações e por merecimento, conquistou o acesso à Sabedoria e à Força da Tradição.
 Por outro lado, muitos do ditos “xamãs” atuais, aprenderam por meio da leitura de livros, faltando-lhes o aspecto prático e a experiência “concreta”, ou receberam seu “título” em “iniciações/workshops de final de semana”,
 É claro que a conexão com as forças da Natureza, Espíritos Guardiões, Poderes das Quatro Direções, a Energia Primigênia, o Criador, Deus, Grande Espírito e com a Mãe Terra não são exclusividade de uns poucos e privilegiados eleitos! Porém, verdade seja dita, quantos andam se afirmando os intermediários dessas forças e poderes sem terem o suporte, amparo e apoio dos que trilharam esse Caminho antes de nós?
 Se o Xamanismo se entende pela Natureza, usemos uma analogia com a Natureza, que árvore cresce forte, frondosa, floresce dá bons frutos se não possui raízes igualmente forte e proporcionalmente grandes?
Atualmente existem muitos “xamãs” sem raízes! E o pior, muitos a segui-los em busca de cura e “bons frutos”!
 É possível uma pessoa se curar e encontrar o que busca guiado por tal “xamã desraizado”? Claro, como já disse, a conexão com o sagrado não é propriedade de ninguém. Porém, os frutos, apesar da boa aparência inicial, dependendo da origem, podem ser amargos no final.
 Compreendo que trilhar esse Caminho não é inventar a roda! É caminhar com carinho e firmeza na Mãe Terra, honrando o Caminhar de Todos(as) que Caminharam antes de nós! Se não houver a Ancestralidade, é outra coisa, mas não Xamanismo!
 Reconhecer a Sabedoria e os ditames dos que vieram antes de nós, isso é muito Belo! Honrar os antigos, nossos pais e avós, a Ancestralidade presente em uma linhagem humana e nos outros reinos, reconhecendo-nos parentes das plantas, dos animais, das rochas e filhos da Terra!
 Muitos, nos milênios de práticas, já “testaram” fizeram um Caminho, retornando para nos dizer o rumo a seguir.
 Certa vez escutei um Homem de Medicina dizer: “Nesse Caminho não há atalhos!” E aí como fica o “Xamanismo Fast Food”? De “iniciações” rápidas e de teorias vazias de práticas? Cheio de atalhos e pressa? Algumas vezes buscando, da mesma forma, resultados imediatos e egoístas, sem se pensar a Coletividade e o Bem Comum, mesmo quando proclama: “Por Todas as Nossas Relações”?
 Um “xamanismo” que pede Prosperidade material esquecendo-se que outro “fundamento xamânico” é o reconhecimento da relacionalidade dos opostos complementares! Ou seja, para se pedir para a Matéria, é necessário o Espírito! Sem isso não há Equilíbrio!
 Senti de escrever esse texto após constatar tanta desinformação sobre o termo “xamanismo” e pior, tanto desrespeito aos antigos, às Tradições Ancestrais e à Sabedoria deixada por Avós e Avôs!
 Por fim, lembro-me de um ensinamento que sintetiza outro “fundamento xamânico”, a Humildade: um verdadeiro xamã, muitas vezes, não se auto intitula como tal!
 E aí me lembro do desconforto de meu amigo e, hoje, partilho desse sentimento.
 Por outro lado, afirmo com muito orgulho, respeito e humildade que trabalho com Xamanismo!
 Por Todas as Nossas Relações e em respeito e reverência aos nossos Ancestrais e Avós e Avôs desse Caminho!
 Eu sou Ka Ribas e assim falei!
 Aho Metakiase!

quinta-feira, 5 de março de 2015

XAMANISMO

O QUE É XAMANISMO?
Xamanismo é o nome dado à primigênia forma do ser humano se conectar ao sagrado, suas origens remontam a 40 ou 50.000 anos atrás, no período paleolítico. A palavra tem origem na Sibéria, e passou a ser usada pelos antropólogos para definir um conjunto de práticas ancestrais de cura, êxtase, devoção e conexão com o transcendente. Esse conjunto de práticas é encontrado em todo o mundo, o que transforma o xamanismo em um fenômeno universal essencialmente humano.
Por sua antiguidade, o xamanismo pode ser considerado a mais antiga prática espiritual da humanidade, em seus fundamentos está o reconhecimento do sagrado e transcendente, o respeito pela ecologia, a relacionalidade e interconectividade de tudo, a necessidade de expansão da consciência humana e a comunicação com outros mundos, dimensões e realidades.
O aspecto ecológico do xamanismo surge como o resultado do princípio de relacionalidade onde nada existe isolado, toda manifestação, fenômeno ou ser está conectado e interage com todos os outros aspectos da realidade ou realidades. Ele é fruto do estudo meticuloso, interação e aprendizado do ser humano com o “livro” sagrado de todas as tradições xamânicas: a Natureza!
“Os ancestrais xamânicos viviam em harmonia e equilíbrio com todos os seres, pedras, plantas, animais, pássaros, peixes e até insetos. Para garantir sua sobrevivência em ambiente hostil, os homens primitivos interpretavam os sinais e as mudanças da natureza a seu redor. Viviam de acordo com os ciclos do Sol e da Lua, das mudanças das estações, das manifestações da natureza, com o vento, a chuva, etc.” Leo Artese
Essa profunda, íntima e simbiótica conexão do xamanismo com a natureza o converte em uma espiritualidade ecológica ou, se preferir, em uma ecologia espiritual!
Talvez seja por isso que nos dias de hoje, em pleno século XXI de tecnologias cada vez mais alucinantes/alucinadas, o xamanismo e as práticas e tradições xamânicas estejam tão “em alta”! Isso porque o rompimento ou a ilusão de rompimento do ser humano com a natureza estão causando tantos danos às pessoas e ao planeta, que o xamanismo apresenta-se como um caminho espiritual coerente e atrativo ao anseio pelo reequilíbrio nas relações entre a espécie humana e o seu entorno!
Na visão xamânica, o equilíbrio é alcançado por meio de relações saudáveis. Relações saudáveis são aquelas baseadas no respeito e na reciprocidade. E relações saudáveis devem ser estabelecidas em todos os níveis, com todas as formas de vida e todos os seres!
Assim, “caminhar” com equilíbrio, harmonia e beleza é estabelecer relações saudáveis com os outros seres humanos, consigo mesmo, com os deuses, divindades e potências cósmicas, com a natureza e os reinos mineral, animal e vegetal.

É por isso que muitas pessoas que buscam práticas ancestrais e trabalham com o que se convencionou chamar por Xamanismo tem o costume de dizer a expressão “Por Todas Nossas Relações”! Uma afirmação genérica e profunda, quando compreendemos a importância de cultivarmos relações saudáveis!
POR TODAS NOSSAS RELAÇÕES!

CURA XAMANICA

CURA XAMANICA
SABEDORIA ANCESTRAL PARA A SAÚDE, EQUILÍBRIO, HARMONIA E BELEZA
Saúde é fruto do Equilíbrio que gera Harmonia e se manifesta em Beleza.

O QUE É A CURA XAMÂNICA?
Cura Xamanica é o processo terapêutico que utiliza ferramentas e técnicas ancestrais, de um conjunto de práticas e de uma rede de sabedoria, comumente conhecidos como xamanismo. Utilizado há milhares de anos, por inúmeras culturas e povos ao redor do mundo, é bastante eficaz no tratamento de diversos males do corpo e da alma.
Na visão xamânica, a saúde é fruto de uma vida equilibrada. Quando qualquer área de nossa vida encontra-se em desequilíbrio o resultado são enfermidades. Ao contrário, quando estamos vivendo em equilíbrio, experimentamos harmonia, bem-estar, felicidade e paz, manifestamos a beleza!

O processo de Cura Xamanica busca trazer de volta esse equilíbrio, que, por algum motivo, foi afetado em algum nível do ser, físico, emocional, mental ou espiritual. Para alcançar esse propósito, são utilizadas técnicas como “jornadas extáticas” (as viagens a outras dimensões da consciência, conduzidas pelo toque do tambor), cantos, defumações, banhos, plantas medicinais, pedras e cristais e inúmeras outras ferramentas. No contexto xamânico, qualquer meio que contribua para que o equilíbrio seja restabelecido é chamado de “medicina”. 

Atendimentos em BH e Casa Branca. 
Para agendar um horário: (31) 3575-3685 / 9422-9331
aguiaecondor@gmail.com
POR TODAS AS NOSSAS RELAÇÕES!

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

TENDA DO SUOR - Uma Terapia Milenar Indígena!

A Tenda do Suor, também chamado de Temaskal (Da língua indígena Nauatl, originária do México, que significa “Casa de Limpeza/Purificação”) ou Inipi (para os nativos das planícies da América do Norte) é uma terapia milenar usada pelos povos indígenas, trata-se de uma Sauna Sagrada onde os participantes recebem uma profunda limpeza no corpo físico, emocional, mental e espiritual.

Essa terapia auxilia na cura de doenças agudas e crônicas, estimula os órgãos e limpa toxinas acumuladas por medicamentos, produtos químicos, alimentação inadequada, fumo e bebida alcoólica. Promove uma limpeza sanguínea, estimulando as glândulas. Em 50 minutos é eliminado um litro de suor com toxinas, ácido úrico, colesterol e gorduras.

O Temaskal também é eficaz para obesidade e o rejuvenescimento da pele, limpa os seios nasais e paranasais através dos vapores aromáticos de plantas curativas. Alivia sinusites, catarro, asma e bronquite. Seu efeito relaxante combate a insônia e o stress.

No Temaskal, a pessoa entra em contato direto com os elementos da natureza (água, terra, fogo e ar), simbolicamente a Tenda representa o Útero da Mãe Terra, promovendo um processo de renascimento em todos os participantes.

Temaskal com Aromaterapia

Aliado à prática milenar e ancestral da Tenda do Suor, são utilizados óleos essenciais, a "alma" da planta, que possibilitam aprofundar a cura, em diferentes níveis.

Sobre a Tenda do Suor:

As Pedras são o elemento condutor da terapia, consideradas pelos povos antigos como seres portadores de registros e memórias, são esquentadas em uma fogueira e entram incandescentes na Tendo do Suor.

A cerimônia do Temaskal nos permite ir de encontro com nossa memória ancestral, acessar arquivos ou registros antigos. A falta de visibilidade dentro da Tenda nos leva a um contato profundo com a escuridão, à sensação de estar dentro do útero de nossas mães, um lugar quente, úmido, limitante; fatores que favorecem o encontro de nosso ser verdadeiro, de nossa essência.

O contato com os quatro elementos é direto e íntimo. A terra é a casa onde entramos, é o solo no qual deitamos o corpo e entregamos nossas dores, é o que nos acolhe. O fogo esquenta as pedras que contem registros ancestrais e que entrarão incandescentes no centro da Tenda. A água transforma o calor contido nas pedras em vapor, que toca nosso corpo abrindo nosso poros e permitindo a “medicina” das pedras nos curar. O vento é o que nos refresca e nos da vida, cada vez que a porta abre para recebermos mais pedras e, finalmente, quando renascemos, saímos da tenda completando nosso parto! Uma nova oportunidade, um novo tempo, um recomeçar!
Aho Mitakuye Oyasin - Por Todas Nossas Relações!