quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

UM TRIBUTO AO COYOTE ALBERTO RUZ

Conheci Alberto Ruz Buenfil no final de 2006, na época a Caravana Arco Íris Pela Paz estava em Belo Horizonte e Alberto e a Caravana trabalhavam em um projeto lindo, mágico e alucinado: a filmagem do longa metragem “Cocoré” do genial (e não menos alucinado) Túlio Marques, na época não podia imaginar como aquele encontro em volta do fogo mudaria para sempre minha vida!
Digo isso pois Alberto foi quem realmente me mostrou o que significa ser um Guerreiro do Arco Íris, o comprometimento visceral e afetivo com a Terra e o caráter transcendente e mágico do momento mítico em que vivemos aqui e agora.
Na época tinha inúmeros questionamentos sobre os calendários maias e a data de 2012. Pensei que por sua trajetória e vivência Alberto me traria esclarecimentos, na realidade ele, com toda a simplicidade de seu profundo e legítimo conhecimento do tema, me mostrou muito mais!
Não me esqueço de quando lhe perguntei sobre as diferenças e contradições das contagens de tempo do calendário proposto por José Arguelles em relação aos calendários ainda usados pelos maias da Guatemala, Alberto realizou um gesto com as mãos como serpentes a se cruzarem e me revelou sua tentativa de promover um encontro conciliador entre Arguelles e xamãs guatemaltecas afirmando que o momento é de união e antes das diferenças, deveríamos procurar nossos pontos em comum.
Obs.: Alberto é filho do arqueólogo Alberto Ruz Lullier, descobridor, em 1952, da tumba real na pirâmide das inscrições em Paleque e, ainda criança, foi um dos primeiros seres humanos, depois de 1.000 anos, a entrar no espaço mágico de sepultamento do poderoso rei-sacerdote maia Pacal. Conviveu sua infância com originários maias e se iniciou nessa Tradição.
Naquele nosso primeiro encontro compreendi porque esse incansável e valoroso guerreiro utiliza o arco de sete cores como símbolo: fora o aspecto estético e mágico, sua lição sobre a diversidade provém que nele cada cor possui suas qualidades particulares, mas somente todas juntas compõem a beleza do Arco-Íris, harmonicamente, em pé de igualdade e expressando a poética força sinérgica de todos serem um. Um arco, um símbolo, mas composto de sete cores, onde se faltar um, será outra coisa, não mais um Arco-Íris.
Alberto me fez perceber que o momento em que vivemos é a concretização do sonho mítico e ancestral de nossa amada Abya Yala, e mais, eu vinha com a cabeça cheia, cerebral, lógico e racional, o Coyote me mostrou que o que vale são os sonhos e o coração!
Conviver com ele, sua companheira Verônica e toda colorida e mágica turma da Caravana, participar das cerimônias, palestras e festas foi um honra e um grande prazer!
E mais, ele me fez ver a responsabilidade de assumirmos nosso papel de guerreiros nesse momento, de lutarmos bravamente pela Paz, a Harmonia e o Amor em Todas as Nossas Relações! Até aquele momento eu me contentava em buscar resgatar culturas milenares de Abya Yala por meio de pesquisas e investigações, escrevendo artigos, textos, roteiros e até livros, participando de expedições, realizando cerimônias e iniciações em Tradições ancestrais, mas percebi que ainda era pouco... Faltava colocar meu coração no jogo!
Depois daqueles dias durante o final de 2006, nos encontramos algumas outras vezes, me lembro com muito carinho da cerimônia no Parque Municipal de BH durante o TEIA – Encontro de Pontos de Cultura, quando foi lançando o filme “Cocoré”. Também tive um encontro mágico e sincrônico, no Rio de Janeiro, com sua companheira Verônica, justo quando eu estava a viajar para o México, e eles para a Inglaterra, estávamos todos na cidade maravilhosa atrás de vistos, e nos encontramos por “acaso” em um Café em Botafogo! Nessa viagem para o México, sua presença, força, lembrança e energia estiveram comigo em vários momentos. Fora isso, sempre tinha notícias suas pelos informes da Caravana via internet.
A última vez que nos vimos foi em janeiro de 2009, durante o Fórum Social Mundial em Belém, na ocasião estivemos juntos na Aldeia da Paz e participamos, com milhares de outras pessoas, da incrível passeata de abertura do Fórum pelo centro de Belém, que momento mágico! Principalmente depois da violenta chuva que caiu, lavando e purificando o evento, além de todos na rua, e do não mágico Arco Íris que se seguiu!
Na ocasião, pude curtir um pouco do carinho, da amizade e dos ensinamentos do velho Coyote, isso quando os desafios e batalhas da tenda de cura (onde colaborei uns dias) e os múltiplos afazeres de liderança da Aldeia (onde Alberto tinha que se multiplicar, custando até um pouco de sua saúde) permitiam. Porém a honra me veio quando ele me convidou para participar, tocando charango, da gravação das músicas e canções da Caravana. Momento mágico aquele! Aliás nunca escutei essas gravações, se por acaso alguém ler esse relato-tributo e souber dessas gravações favor me dizer.
Um ano após esse último encontro, Alberto está de volta ao México, e recebo seu e-mail com o texto final do livro “Nas Trilhas da Utopia – Movimento Comunitário no Brasil”, organizado pelo velho Coyote. Puxa que emoção! Só posso lhe agradecer companheiro, por sua dedicação, valor, coragem, fé, carisma, ensinamentos e por seu coração! Você é um espelho mágico no qual milhares de guerreiros, assim como eu, puderam e ainda poderão se contemplar!

Viva El Portuñol! Viva seus Sonhos e Viva esse Velho e Valoroso Coyote!

3 comentários:

Dani Cuccia disse...

Texto lindo!!!! Cheio de coração! Vc´s são dois seres maravilhosos! Sou grata pela oportunidade de t^-los nesta vida comigo!

Yv disse...

Olá, logo percebi que conhecias o Herne, rsrs, fico feliz que esse mundo possa aproximar pessoas tão especiais como vcs...
Obrigada pela visita ao blog, tbm serei seguidora do teu belo trabalho aqui e com certeza divulgando em meus favoritos no Metamorfose.

Bençãos plenas,

Yv.

Sianis Shan disse...

Que lindo meu irmão...sinto no coração a sua emoção ao encontrar seres tão iluminados. In lakech