quarta-feira, 30 de novembro de 2011

CAMINHADA DE PODER E VIVÊNCIA DE XAMANISMO ANDINO-AMAZÔNICO

CAMINHADA DE PODER E VIVÊNCIA DE XAMANISMO ANDINO-AMAZÔNICO

Domingo 11/12, em Casa Branca - MG

Caminhada ao topo de uma montanha, seguido de vivência Xamânica Andino-Amazônica com Medicina Aguacolla.

Condução dos Trabalhos:

Ricardo Villanueva (Chile) e Ka W. Ribas (Brasil)

É imprescindível confirmar a participação até dia 09/12

Contribuição: R$ 90,00

Informações: (31) 3575-3685 / 9422-9331 / 9382-4071

centroyachaj@gmail.com / kawribas@yahoo.com.br

www.kawribas@blogspot.com

domingo, 13 de novembro de 2011

DECLARAÇÃO DO XI JOGOS DOS POVOS INDÍGENAS

Essa declaração contempla o que está no coração de muitos filhos da Mãe Terra! Espero que muitos brasileiros e cidadãos de todo o planeta leiam!

"Nós participantes dos XI Jogos dos Povos Indígenas, reunidos por uma semana aqui na beira do Rio Tocantins em Porto Nacional, declaramos o seguinte:

Primeiro agradecemos ao Grande Espírito, ao Criador das águas, das estrelas, do sol, do ar que respiramos e da vida.
...
Somos guerreiros de 38 Povos do Brasil e saímos de nossas comunidades com alegria viajando até quatro dias para participar desse grande momento de celebração entre irmãos. Unidos pela proteção da Mãe Terra e da Natureza.

Como filhos da Terra nosso compromisso é com a vida!

Por isso, recomendamos ao Governo do Brasil que escute a nossa voz, escute a voz das águas, escute a voz da terra.

Não aceitamos mais que nos tratem como povos sofridos ou miseráveis. A miséria e a pobreza humana está nas cidades do homem branco. Choramos quando vemos crianças e velhos sem casa, sem comida e sem vida.

Agora que estamos terminando esse trabalho de integração dos Povos, agradecemos ao Governo do Brasil, ao Governo do Estado e ao Governo Municipal, mas principalmente ao povo irmão que nos recebeu nesse lugar. Jamais esqueceremos a alegria das mulheres, dos homens e de suas crianças que nos aplaudiram.

Aprendam a proteger essas águas e não deixem que a loucura do desenvolvimento continue a matar o futuro de seus filhos! Nós somos aliados de vocês!

Irmãos brancos e negros, somos aliados da paz.

Somos aliados de um Brasil forte.
Um Brasil que mostre ao mundo que a qualidade de vida é um direito soberano da paz.
Um Brasil que constrói seu futuro com equilíbrio ambiental e um desenvolvimento onde não haja ricos e pobres.

Quando chegarmos lá em nossas aldeias, vamos cantar, contar o que vimos aqui.
Sempre defenderemos nossas dignidades, nossos valores e nossas terras, pois Terra é Vida!"

Porto Nacional, 12 de Novembro de 2011.
(LIDO POR MARIA APARECIDA APINAJÉ)

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

I Encontro: A SABEDORIA ANCESTRAL NOS DIAS DE HOJE - outubro de 2011, em Casa Branca-MG

Gratidão à Mãe Terra e ao Grande Espírito por esse Encontro! A todos os ancestrais, aos quais honramos e estiveram presentes no Encontro!
Gratidão a todos que participaram, organizaram, visitaram e contribuíram de alguma forma para que esse Encontro se tornasse realidade, com a beleza e profundidade que teve!
Foram dois dias de aprendizados, cura e muitas bençãos!
Um agradecimento bem especial a toda família Verde Folhas, em especial à Andrea e Lucas; a Luana, Nati, Carol, Dani e Odete; ao Ricardo, Pedro Fadida, Simonete e Ana Xara; ao Claudio e ao kanvar; à Bruna, Renata, Luísa Torres, Evelyn, Eduardo e Xandão; à Inês da Pousada Vista da Serra; a todas as crianças presentes, que nos honraram com sua alegria!

Aho Grande Espírito!
Que venha, em 2012, o Segundo Encontro!
Por Todas as Nossas Relações!

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

CUZCO, MACHU PICCHU E VALE SAGRADO - Out 2011

Gratidão Pachamama, Gratidão Wiracocha, Gratidão Apu Kuna!
Foram muitos ensinamentos, bençãos e alegrias nesses 9 dias que tivemos nessa viagem à Sagrada Terra dos Inkas!Emoções, sentimentos e lições que não se esgotam após a viagem, mas, seguramente, cada um levará para a sua vida, para o seu cotidiano.
Agradeço a cada participante desse Grupo maravilhoso, à Basílio, Violeta e Tayta Martin, da Nação Keros, que conduziram as cerimônias em Urubamba e também agradeço à Peru Travel pela logística e suporte na viagem.
Aos ancestrais Inkas, que deixaram sua sabedoria registrada nas pedras, e aos seus descendentes, o amável e simpático povo peruano, que nos receberam com tanto carinho!
Por tudo isso, gratidão, gratidão e gratidão! Haylli! Jallalla! Allin Kawsay!

terça-feira, 4 de outubro de 2011

I Encontro: A SABEDORIA ANCESTRAL NOS DIAS DE HOJE - 29 e 30 de outubro em Casa Branca-MG

ATRAVÉS DA PALAVRA, O SOPRO DO SABER
A POSSIBILIDADE DE COMPARTILHAR,
VIVENCIAR E APRENDER.

29 e 30 de outubro de 2011
Verde Folhas - Casa Branca-MG
www.verdefolhas.com.br

Programação:

Sábado, 29
Agradecimento à Mãe Terra e Dança Circular
Mesas redondas: “O Sagrado Feminino“
“A Cura como Caminho”
Círculo de Mulheres e Tenda do Suor Feminino
Círculo de Homens no Fogo Sagrado

Domingo, 30
Prática Tolteca e Caminhada
Atendimentos : Massagens, Kambô e Outros
Mesa redonda: “Ecologia e Ancestralidade”
Encerramento: Tenda do Suor Familiar

PARTICIPAÇÃO GRATUITA
Atendimentos e Tendas do Suor: R$50,00 cada
PACOTE (todas cerimônias + 1 atendimento): R$120,00

Informações: (31) 3581-8824 / 8825-3515 / 9422-9331
fogosagradomg@yahoo.com.br

domingo, 25 de setembro de 2011

PHACHAMAMA - Cura e Conexão com a Mãe Terra

Com muita força e profundidade, realizamos nos dias 16, 17 e 18 de setembro, o Encontro PACHAMAMA, cujo propósito foi contribuir para o despertar e a concientização dos participantes de sua conexão e filiação afetiva, energética e espiritual com a Mãe Terra.
No Encontro, além das vivências, práticas e rituais, partilhamos ensinamentos ancestrais que resistiram ao tempo e retornam, nos dias de hoje, revigorados e corroborados por recentes descobertas científicas.Durante esses dias, em um lugar muito propício, o sítio Sertãzinho, em Moeda-MG, trabalhos nosso crescimento pessoal, cura, ecologia e a melhora em todas nossas relações.
Foram três dias abençoados e muito auspiciosos! Gratidão aos participantes, à Magui, Orestes e Pedro, do Sítio Sertãozinho, ao parceiro e amigo Pedro Fadida, que que coordenou, junto com Ka Ribas, as atividades e, principalmente, à Mãe Terra, por sua Conexão e Cura!

domingo, 24 de julho de 2011

MACHU PICCHU

Aproveitando as comemorações de 100 anos de sua descoberta arqueológica oficial, uma homenagem à cidade sagrada dos Inkas:

"Entonces en la escala de la tierra he subido

Entre la atroz maraña de las selvas perdidas

Hasta ti, Machu Picchu.

Alta ciudad de piedras escalares,

Por fin morada del que lo terrestre

No escondió en las dormidas vestiduras.

En ti, como dos líneas paralelas,

La cuna del relámpago y del hombre

Se mecían en un viento de espinas.

Madre de piedra, espuma de los cóndores.

Alto arrecife de la aurora humana.

Pala perdida en la primera arena.

Ésta fué la morada, éste es el sitio:

Aquí los anchos granos del maíz ascendieron

Y bajaron de nuevo como granizo rojo.

Aquí los pies del hombre descansaron de noche

Junto a los ojos del águila, en las alturas guaridas

Carniceras, y en la aurora

Pisaron con los pies del trueno la niebla enrarecida,

Y tocaron las tierras y las piedras

Hasta reconocerlas en la noche o la muerte.

( ... )

Y el aire entró con dedos

De azahar sobre todos los dormidos:

Mil años de aire, meses, semanas de aire,

De viento azul, de cordillera férrea,

Que fueron como suaves huracanes de pasos

Ilustrando el solitario recinto de la piedra."

Pablo Neruda

Alturas de MACHU PICCHU

CANTO GENERAL - Tomo I

“... as montanhas imensas, o rio, os abismos, o céu límpido ou abarrotado de vapores, o manto de selva, o vento que açoita duro, a chuva tenaz e a acumulação venerável dos séculos, contribuem na medida justa com a obra do homem.

Ao construir a cidade, não desfez o homem a unidade cósmica que reina neste lugar. Fez algo digno das montanhas, do rio, dos precipícios. E contagiado pela perenidade do mundo, levantou uma cidade que almeja ser eterna."

H.Buse

Não se sabe como era chamada Machu Picchu na época dos Incas, o atual nome é originário da montanha sobre a qual se encontra a cidade e significa "Montanha Velha". Os espanhóis não descobriram a cidade e o primeiro ocidental de quem se tem notícia a chegar ao lugar foi o explorador norte americano Hiram Bingham, em 1911.

Algumas pessoas acusam Bingham de ter pilhado Machu Picchu, pois levou objetos de ouro, obras de arte e múmias para museus nos Estado Unidos e até para coleções particulares (em 2003 o governo peruano solicitou a devolução das peças).

O arqueólogo acreditava ter descoberto a lendária Vilcabamba, reduto dos últimos Incas rebeldes contra o domínio espanhol. Posteriormente soube-se que a descoberta de Bingham não era Vilcabamba; a partir daí, teve início uma grande especulação sobre Machu Picchu.

Localizada a 150 km de Cuzco, em um platô no topo de uma montanha a 2.700 metros de altitude, Machu Picchu possui as características arquitetônicas incas e seu planejamento é coerente com o sistema de organização urbano e ideológico incaico.

Também surgiram muitas hipóteses sobre qual teria sido a função de Machu Picchu: reduto das Virgens do Sol, escola dos sábios, casa de campo do imperador, complexo administrativo, fortaleza contra os ataques de tribos da selva amazônica, centro astronômico e energético do planeta e outras mais.

Quem sabe a resposta? Talvez sejam verdadeiras todas essas possibilidades. Dentro da visão de mundo integrada do universo indígena é totalmente coerente essa multiplicidade de funções.

O certo é que Machu Picchu é muito especial; seja pela precisa localização entre montanhas e circundada aos pés pelo rio Urubamba, que forma um profundo vale ou cânion ao redor da montanha, ou pelas impressionantes e belas construções da mais alta qualidade de trabalho em pedra dos Incas. Esses elementos conjugados oferecem ao visitante da cidade uma experiência invulgar.

Em Machu Picchu, os sábios incas edificaram uma obra prima, majestosa e genial, nem maior ou menor que a natureza ao redor, mas integrada a ela e a refletir a união harmônica entre o homem e a Pachamama. A beleza e imponência do conjunto fascinam e encantam, residindo aí um dos aspectos mágicos da cidade.

Machu Picchu inteira está repleta de locais sagrados com alinhamentos astronômicos. Nesses lugares, as forças do Céu e da Terra eram invicadas e utilizadas em rituais praticados pelos sábios, os amautas, e esse força, ainda hoje, pode ser sentida por aqueles que estejam dispostos a estabelecer um vínculo com as energias criadoras e formadoras do Cosmos e de nossa Mãe, a Terra.

Talvez quinhentos anos atrás, no dia do solstício de inverno, um amauta com seu cajado, símbolo de poder e sabedoria, se dirigiu, antes do amanhecer, para a base da escada de sete degraus que oferece acesso a uma mesa na base do Intiwatana, no lugar que hoje conhecemos como Machu Picchu.

Esse sábio inca já estava se preparando para esse dia com certa antecedência através de jejuns, banhos rituais e orações dirigidas ao seu deus Wiracocha e ao seu pai Inti. A pedra que chamamos Intiwatana, uma importante Huaca, já estava decorada com flores e perfumada por incensos. Essa pedra funcionaria como um catalizador, para impulsioná-lo a uma experiência mística e transcendental de conexão com o cosmos e de amor a sua mãe, Pachamama.

Todo o ritual é acompanhado de preces, orações e cantos, pontuados e adornados pelo toque de tambores, flautas e conchas marinhas que são sopradas para emitir sons inusitados e mágicos. A música coordena o andamento da cerimônia e lentamente, com grande reverência, o amauta sobe, degrau por degrau, sentindo e coordenando sua respiração, enquanto o ritmo do tambor dita seu batimento cardíaco em consonância com o coração da terra.

Ao chegar ao sétimo degrau, seu ser vibra em uníssono com a vitalidade do cosmos, nesse momento, o Sol, pai espiritual desse povo, irrompe com seus primeiros raios, que se dirigem para o pináculo ou prisma do Intiwatana; próximo dali, outros sons de conchas anunciam o despertar das inúmeras Huacas da cidade. O esplendor do brilho do ouro, projetado por todo lado pelos dourados raios solares, transporta os homens para outras dimensões e reinos mágicos da consciência.

O olhar do sábio se desvia para a direita e o triângulo mágico solar abarca o olho, agora desperto do Hatun Puma, nível de consciência e conhecimento do qual almeja comungar o amauta. Ele conhece os sinais, sabe ler a sagrada escrita das formas nas pedras e sente o poder do lugar onde está.

A força do Puma, guardião do Kay Pacha, invade seu ser e o torna elo de ligação entre o Hanan Pacha e o Uju Pacha, a coluna por onde ascende a Serpente até alçar seu vôo, como um mensageiro dos deuses, o sagrado Condor.

Súbito os raios de Inti alcançam sua cabeça, para depois, suavemente, descerem até sua fronte; nesse momento seu coração dispara e o amauta sabe que é um com o universo e com a terra, seu ser transborda alegria, sabedoria e amor.

De um Kero, copo cerimonial inca, ele oferta um pouco de chicha, a bebida sagrada feita de milho, para a Pachamama e para Inti. De uma bolsa a tiracolo, o Amauta retira algumas folhas de coca, outra oferta aos seus deuses. Ele faz essa oferenda ritual movido por um profundo sentimento de gratidão pela vida e como reconhecimento da imensurável generosidade de seus pais espirituais.

Mais uma vez ele sente a confiança em seus deuses, os ciclos irão se repetir, as chuvas cairão na época prevista e a colheita será farta. A abundância, uma vez mais, será festejada e o povo, feliz e bem alimentado, irá aclamar seu imperador pelos quatro cantos do mundo...

Esse pequeno relato ilustra o que imagino deveria ser uma cerimônia incaica, realizada por um amauta, conhecedor ds segredos da ciência/religião solar.

Ka W. Ribas

Haylli Machu Picchu!