sábado, 25 de setembro de 2010

EM APOIO AO POVO MAPUCHE

Na heróica trajetória de resistência dos povos originários de Abya Yala (América), a história do povo Mapuche merece destaque.
Seu território, localizado no sul da América do Sul, nunca foi inteiramente conquistado por nenhum povo! Inkas, espanhóis e o Estado chileno, todos tentaram, sem sucesso. Na época dis Inkas, era o limite sul do Tawantinsuyo. Após a invasão dos espanhóis, o território Mapuche seguiu sendo um desafio ao domínio colonial. Com a independência e criação do Estado nacional chileno, a integração, ainda que parcial, dos Mapuche ao Chile se deu muito mais por aculturação que por conquista militar.
Isso não quer dizer que não ocorreram tentativas violentas e sangrentas, que culminaram em massacres e violação dos direitos milenares do povo Mapuche sobre sua Terra.
Recentemente, o Estado chileno lançou nova ofensiva contra os Mapuche, como estratégia de resistência dezenas de Mapuches estão em greve de fome que já dura mais de setenta dias!
Escrevo hoje para me solidarizar com esse povo e expressar meu apoio aos indomáveis Mapuche!

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

EQUINÓCIO DE PRIMAVERA

Chegou a época do florescimento! Dia 23 de setembro é o Equinócio de Primavera, o dia tem a mesma duração que a noite, é época de equilibrar-se e florescer, cantar e celebrar a emoção e o milagre da vida que desabrocha com as flores e em nossos corações!

Há alguns séculos atrás, um poeta asteca assim louvou o florescer da Primavera:

Eu, o cantor, crio um poema
Reluzente como a esmeralda preciosa,
Como uma esmeralda brilhante, resplandecente;
Eu me adapto à modulação
Da voz harmoniosa da flauta...
Como o tilintar das campainhas
O tilintar das campainhas de ouro...
Assim canto eu a minha canção perfumada,
Semelhante a uma jóia reluzente,
A uma turquesa brilhante, a uma esmeralda deslumbrante,
O meu hino florido à Primavera!

Uma dica: receba, na manhã do Equinócio, os primeiros raios do Sol, com o topo da cabeça voltado para o astro-rei, nesse momento invoque o poder do florescimento em sua vida! Trata-se de um momento de muito Poder!


Muita Paz, Saúde, Alegria e Equilíbrio para TOD@S,

domingo, 5 de setembro de 2010

CAMINHADA DE PODER EM CASA BRANCA - MG

CAMINHADA DE PODER
COM VIVÊNCIA XAMÂNICA
Domingo, 19 de setembro, em Casa Branca-MG

O propósito dessa Caminhada de Poder é levar o participante a uma experiência imediata, concreta e profunda com a sua essência. Nesse dia realizaremos o que o povo Guarani chama de Oguatá Porá, uma “Boa Caminhada”, uma caminhada sagrada onde o ato de caminhar será uma metáfora de nosso caminho na vida.
Sairemos cedo, às 8 da manhã, de um ponto pré-estabelecido apenas com os participantes da caminhada e subiremos até o topo de uma montanha sagrada na belíssima região de Casa Branca, próximo ao Parque Estadual da Serra do Rola Moça. Ali, em um Lugar de Poder, realizaremos uma vivência fundamentada em tradições ancestrais indígenas, onde trabalharemos conceitos atuais como Ecologia Profunda e Ecologia Integral.
Ecologia Profunda é a idéia de que a natureza é um bem em si mesma e não mera coadjuvante da espécie humana, parte do princípio de que todas as formas de vida tem o mesmo valor e importância. Ecologia Integral é um conceito abrangente de Ecologia que a relaciona não apenas com o meio ambiente mas com todas as relações interpessoais, incluindo a sociedade e o autoconhecimento.
Por meio da prática xamânica, buscaremos nosso ser integral que não apenas faz parte da natureza, mas que é natureza! Assim, a Ecologia deixa de ser algo externo e passa a fazer parte, efetivamente, de todo nosso ser, levando ao autoconhecimento, crescimento pessoal, cura interior e, conseqüentemente, à cura de nosso próprio planeta.
Nessa prática não usaremos plantas de poder, nem iremos ingerir nenhuma substância psicoativa, para a expansão de consciência serão utilizados instrumentos sagrados como o tambor, além da força do próprio lugar de poder. A condução da vivência ficará a cargo de Ka Ribas que há anos pratica e trabalha com os ensinamentos ancestrais de diferentes culturas ameríndias. Em sua jornada pessoal, Ka recebeu ensinamentos de tradições andino-amazônicas, mexicanas, norte-americanas e de indígenas brasileiros.
Venha fazer parte dessa Oguatá Porá e descobrir o valor dos ensinamentos ancestrais em nossos dias.

AHO MITAKUYE OYASIN – POR TODAS AS NOSSAS RELAÇÕES

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

O CAMINHO SAGRADO DO POVO GUARANI*

“Quando Nhanderu fez o mundo, ele fez também os caminhos!”

O povo Guarani tem um profundo respeito pelos caminhos. O “caminho”, o “caminhante” e o “caminhar” são realidades e conceitos preciosos dentro do seu complexo mundo cultural.
Tanto que eles, notadamente os mbyás, orgulhosamente se autodefinem como “tapejaras”, palavra que algumas vezes vezes aparece traduzida como “povo sempre em movimento”.
Conforme relatou Werá Tupã à pesquisadora Rosana Bond:
“Nós somos tapedjá porque sempre estamos no caminho. Falam muita coisa, mas de verdade essa palavra significa ‘guardião dos caminhos’. Não quer dizer só guia de estrada, mas também do caminho espiritual,”
Os Guarani sacralizam as caminhadas, chamadas “oguatá”.
Segundo Celeste Ciccarone: “Oguatá, a caminhada, é a representação do percurso da reatualização do mito original da fundação do mundo mbya (guarani) e de seus heróis fundadores: a existência do mundo terreno se faz e é feita pelo movimento, nomeando o espaço, rompendo o território, redescobrindo e reconquistando o mundo”.
“A migração é a celebração e a lamentação dos mbya sobre o mundo natural e humano. Um rito de identificação de um povo que não pára, um povo que caminha no espaço vivenciado como um campo de constante travessia, movimento e reciprocidade, uma comunicação de palavras, bens, mulheres e homens que circulam initerruptamente”.
A antropóloga Flávia de Mello diz que nas caminhadas, até os dias atuais, está um desejo da tribo de imitar os deuses, além de ser um reforço aos poderes dos xamãs:
“Oguatá Porá significa literalmente boa caminhada. O caminhar tem uma conatação cosmológica fundamental para os Guarani.
(...) É a forma com que os deuses construíram o mundo, e o caminhar pelas distintas aldeias, reconstruindo suas casas, roças, suas vidas enfim, reproduz essa conduta (das divindades).
(...) Em sentido mais amplo, oguatá é uma metáfora para ‘viver’. As oguatá, ato de caminhar, ou as ‘viagens’, são ações fundamentais para a aquisição e a utilização dos poderes xamânicos”.


* Resumo retirado do livro "História do Caminho de Peabiru - Volume I" de Rosana Bond

domingo, 22 de agosto de 2010

LUGAR DE PODER*

"Dentro da tradição Americana Nativa acreditamos que a Mãe Terra é um ser vivo. Quando um ser humano se dirige a um Lugar de Poder, a atenção da Mãe Terra é direcionada para aquele ponto, e a energia começa a fluir mais fortemente naquela área, já que tanto os nossos corpos quanto o dela estão carregados de eletromagnetismo.
Nossa Mãe Terra possui linhas de energia que se assemelham bastante aos meridianos energéticos do corpo humano. O Povo de Pedra equivale aos nossos ossos, e o solo se compara à nossa carne. As águas de nosso planeta representam nosso sangue, e formam as marés de nossas emoções. Os Lugares de Poder se criam toda vez que a energia se concentra numa só área. Os Seres-Trovão re-energizam nossa Mãe Terra – já que ela é magnética por natureza – através da força do relâmpago. Os Bastões de Fogo, ou raios, abrem caminho até as áreas que já tiveram sua energia drenada por causa do mau uso feito pelo ser humano.
A Mãe Terra fornece de boa vontade a energia necessária para sustentar os corpos físicos dos seres humanos ou das outras Criaturas que necessitam de apoio.
Temos a capacidade de catalisar os elementos, e de influir nas condições planetárias. Possuíamos a habilidade de direcionar nossos pensamentos para poder influenciar os meridianos de energia que alimentam a Terra.
A Ligação com a Terra fornece a energia necessária para que possamos desenvolver nossos dons, habilidades e talentos naturais.
Quando esse dom é descoberto e utilizado de forma adequada, nós nos tornamos simultaneamente doadores e receptores. Tornamo-nos antenas vivas, ou pontes que possibilitam a troca de energia entre a Mãe Terra e a Nação do Céu, à semelhança dos Seres-Trovão."

*Resumo retirado do livro As Cartas do Caminho Sagrado de Jamie Sams

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Solstício de Inverno

No modelo ou paradigma indígena, a repetição, retorno ou alternância de situações é um fenômeno “natural”, assim como o são todos os demais ciclos da natureza: o dia e a noite, as estações do ano solar, as fases da lua, períodos de seca e de chuvas e o ciclo menstrual da mulher. Assim como a mulher só pode conceber em alguns poucos dias de seu ciclo menstrual, existem os dias propícios e de qualidade energética específica para serem executados determinados rituais e cerimônias.
Nas línguas quetchua e aymara, nativas da região andina, a palavra Pacha pode significar tanto o Tempo quanto o Espaço, conceitos que possuem uma estreita correspondência dentro da concepção andina. Aplicando o conceito de Pacha à localização espacial dos santuários da natureza e pontos de invulgar qualidade e intensidade energética, ampliamos a noção de Lugar de Poder com o que podemos chamar de "Tempo de Poder".
Assim, rituais realizados em datas especiais, em lugares específicos, podem ampliar e potencializar determinados padrões energéticos.
O Solstício de Inverno é um dos principais desses momentos de poder, serve, inclusive, como referencia para o encerramento e início do ciclo solar. O próprio calendário gregoriano, que rege a grande maioria do mundo globalizado, baseia-se no inverno do hemisfério norte, a partir de dezembro, para encerrar seu ano solar. Dez a nove dias após o solstício, o ciclo é reiniciado no dia 1º de janeiro.
Para nós do hemisfério sul, esse importante momento astronômico e energético acontece em junho, se formos coerentes com os ciclos e funções da natureza, é agora que termina e começa nosso "ano" solar. Para a tradição Aymara, do altiplano boliviano, entraremos, a partir de 21 de junho de 2010, no ano 5.518!
Esse é um momento propício para o recolhimento interno, avaliação do que passou e começar a "sonhar" novos projetos. É auspicioso realizar cerimônias e rituais que agradeçam o que foi recebido e que estejamos abertos para as bençãos que estão para vir.
Finalizo esse texto com o convite, para os que vivem perto de Belo Horizonte ou estiverem por aqui próximo ao solstício, para particparem de um celebração que será realizada no domingo, 20 de junho, véspera do dia do solstício, em Casa Branca, povoado que pertence ao munícipio de Brumadinho, onde subiremos ao topo de uma das montanhas da região, até a um lugar de poder, onde reberemos os primeiros e energéticos raios do Pai Sol (já com o padrão especial do solstício) e realizaremos uma oferenda de flores, sementes, frutas e outros produtos naturais para a Mãe Natureza, em agradecimento pela fartura e saúde.
No mais, que as bençãos do Grande Espírito estejam com todos nesse novo ciclo que se inicia, que os sonhos que forem semeados se realizem e que a cura de cada um e de todo o planeta se manifeste!
Aho Metakiase - Por Todas as Nossas Relações!

domingo, 18 de abril de 2010

O EXEMPLO DE UMA CIVILIZAÇÃO SUSTENTÁVEL

Atualmente, o grande desafio mundial é encontrar soluções para o sério desequilibro ambiental do planeta. Nesse contexto, exemplos de sociedades passadas que se formaram, a partir de uma ética ecológica, atingindo altíssimo grau de desenvolvimento tecnológico, econômico, social, cultural e espiritual é bastante pertinente.
O grande avanço obtido pelas antigas civilizações ameríndias, mantendo princípios e uma ética ecológica, revela preciosos ensinamentos.
O Estado indígena sul-americano Tawantinsuyo, também conhecido como ‘Império Inka’, era composto no início do século XVI, por cerca de dez milhões de habitantes, vejamos algumas informações interessantes acerca da última grande cultura autóctone na região andina, os Inkas:
· Teve a fome erradicada e havia estocagem de alimentos suficiente para suprir as demandas de toda a população por décadas!
· Produtividade agrícola altíssima com a utilização de sofisticadas técnicas junto a práticas agrícolas milenares, respeitando o equilíbrio dinâmico e natural, estabelecendo uma atividade permanente e ecológica ( permacultura).
· Nesta sociedade existiam grandes cidades com exímio planejamento urbano, organizadas e com saneamento básico, além de abastecimento de água pura e cristalina.
· As construções eram harmônicas e utilizavam técnicas de bioconstrução (edificação ecológica) e geobiologia (medicina do habitat).
· Havia bem estar social, todo casal recebia condições para seu sustento e para constituir uma família saudável e numerosa.
· Praticamente não havia criminalidade e as casas não possuíam portas para fechá-las; as instituições políticas funcionavam e a corrupção era severamente punida.
· Redes de estradas interligavam milhares de quilômetros e mantinham-se conservadas e operantes em qualquer época do ano.
· E o melhor : tudo isso através de uma relação simbiótica e respeitosa com a natureza e seus ciclos, com um desenvolvimento sustentável e responsável!

ATÉ 500 ANOS ATRÁS ESSA ERA A DESCRIÇÃO E REALIDADE DE UMA GRANDE ÁREA DA AMÉRICA DO SUL!

Esse “mundo de sonhos” desmoronou com a chegada dos europeus e foi não apenas desmembrado como teve sua memória sistematicamente apagada para que outra ordem, baseada na exploração, destruição e desrespeito à natureza fosse implementada.
Na época dos Inkas, a base de todo seu desenvolvimento foi uma série de princípios que compunham uma rede de conhecimentos, a Filosofia Andina ou como define o filósofo suíço Josef Estermann: Pachasofia.
O neologismo quechua/aymara-grego Pachasofia define essa rede de conhecimentos, tecida durante milênios e ainda viva e vigorosa, que pontua as ações e o pensar de seres humanos da região da Cordilheira dos Andes e é marcada por uma ética e valores essencialmente ecológicos.
A palavra Pachasofia é formada por Pacha do quechua/aymara, e significa tanto o tempo quanto o espaço, o cosmos, o universo e o planeta Terra; mais o termo grego sophia, que expressa o “saber” integral a respeito da “realidade”.
A filosofia andina, Pachasofia, possui um caráter essencialmente prático, dado a natureza desafiadora do meio andino, acima de 3.500 metros, com ventos gelados, granizadas, movimentos sísmicos e outras dificuldades para a própria sobrevivência humana, não faz muito sentido um pensamento apenas especulativo e teórico.
Portanto este pensamento teve que ser aplicado na prática e se traduzir em técnica e método.
Fruto da observação sistemática e paciente da natureza, as concepções, valores, saberes, tecnologias e tradições do horizonte cultural andino, refletem a aproximação e simbiose com a Mãe Natureza - PACHA.
E Pacha é os cosmos, a totalidade das coisas que se divide em dois para a manifestação do universo, gerando as polaridades.
O saber andino reconhecia as polaridades e as integrava por meio dos princípios de correspondência, complementaridade e reciprocidade.
Estes princípios interligam os extremos do universo dual: o masculino e o feminino, direito e esquerdo, o Céu e a Terra, o Sol e a Lua, o dia e a noite, quente e frio, chuva e seca, simples e complexo, material e imaterial, teórico e prático, espiritual e terreno, o passado e o futuro, a luz e a sombra.
O profundo conhecimento da natureza em suas manifestações e ciclos foi o princípio norteador do desenvolvimento humano na região andina e um importante legado para a humanidade. Uma sabedoria e ensinamentos que são disponíveis para nós do século XXI.
Não precisamos partir do zero, podemos e devemos tomar as sábias lições do passado e mesclá-las aos avanços e possibilidades da modernidade, criando uma realidade mais harmônica, ecológica e sustentável.